25 de ago 2020

Ainda acho incrível e me surpreendo com o hush de emoções que me vem na escrita.

Arrebatada pelo fluxo de ideias, as vezes não tenho tempo sequer de encontrar uma superfície adequada para depositá-las ou traduzi-las para algo entendível a terceiros.

É um prazer que só vem da escrita e por consequência, da leitura, sentir nas páginas de terceiros a mesma emoção que os tomou. Entendo autores que se descrevem mental ou fisicamente em seus personagens. Se dissolver em palavras, despejar sua essência em algo até que ambos estejam fundidos. Um ferimento fatal carregaria ambos.

É um romance com a obra, ainda que a mesma não seja rotulada assim. As vezes uma dança, outras uma luta de esgrima, que se toma de forma fluida ou com investidas e recuos. Você pode ser destruído no processo, enquanto a plateia se mantém de fora, estática, torcendo ou atirando tomates verbais.

Houveram períodos em que a evitei, outros que a encarei aguardando uma resposta, que me tomasse de novo e encontrássemos um caminho que não havia sido determinado no começo e tamanho foi o desapontamento ao perceber que essa relação não poderia ser forçada apenas pela afeição.

Foi quando parti, anestesiada, em busca de outros desafios e julgando nunca ter feito diferença alguma. Até vê-la novamente.
Não me julgava romântica, considerava uma heresia dispensar tamanho sentimento a seres mundanos que desapontam, ainda que tenha feito inúmeras vezes. Não, a verdade é que sou casada com a arte, meu primeiro amor encontrei no papel, com desenho e tinta, e foi a escrita, que me recebeu com leveza e braços abertos, quando estive pronta para entender, que apenas divido o restante do tempo, com os humanos a minha volta, enquanto anseio voltar para seus braços.

 

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