25 de ago 2020

Ainda acho incrível e me surpreendo com o hush de emoções que me vem na escrita.

Arrebatada pelo fluxo de ideias, as vezes não tenho tempo sequer de encontrar uma superfície adequada para depositá-las ou traduzi-las para algo entendível a terceiros.

É um prazer que só vem da escrita e por consequência, da leitura, sentir nas páginas de terceiros a mesma emoção que os tomou. Entendo autores que se descrevem mental ou fisicamente em seus personagens. Se dissolver em palavras, despejar sua essência em algo até que ambos estejam fundidos. Um ferimento fatal carregaria ambos.

É um romance com a obra, ainda que a mesma não seja rotulada assim. As vezes uma dança, outras uma luta de esgrima, que se toma de forma fluida ou com investidas e recuos. Você pode ser destruído no processo, enquanto a plateia se mantém de fora, estática, torcendo ou atirando tomates verbais.

Houveram períodos em que a evitei, outros que a encarei aguardando uma resposta, que me tomasse de novo e encontrássemos um caminho que não havia sido determinado no começo e tamanho foi o desapontamento ao perceber que essa relação não poderia ser forçada apenas pela afeição.

Foi quando parti, anestesiada, em busca de outros desafios e julgando nunca ter feito diferença alguma. Até vê-la novamente.
Não me julgava romântica, considerava uma heresia dispensar tamanho sentimento a seres mundanos que desapontam, ainda que tenha feito inúmeras vezes. Não, a verdade é que sou casada com a arte, meu primeiro amor encontrei no papel, com desenho e tinta, e foi a escrita, que me recebeu com leveza e braços abertos, quando estive pronta para entender, que apenas divido o restante do tempo, com os humanos a minha volta, enquanto anseio voltar para seus braços.

 

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13 de ago 2020

O título pra mim define o que a internet virou em nossas vidas.
A sensação constante de que o tempo é pouco, que estamos perdendo algo.
Ultrapassou o FOMO (Fear of missing out) e virou, o que?
É como estar estar num espaço quadridimencional, tentando ver todos os lados ao mesmo tempo.

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Lidar com tantas redes sociais, sites de notícias, estímulos, se tornou impossível. Antigamente (nossa, idosa antes dos 30, que coisa louca) se nós acelerássemos o passo, víssemos tudo mais rápido, dormíssemos uma hora mais tarde, conseguiríamos pelo menos saber as tragédias e memes dos últimos dias, que são os destaques do Brasil, sejamos sinceros.

Hoje com 5 horas no celular por dia, se você sabe 1% do que aconteceu no dia é muito, quando percebe, não fala com seus amigos mais próximos de verdade há semanas, porque vê apenas e posta apenas para o geral, não se dirige especificamente a ninguém.

A arte de mandar indireta se tornou obsoleta, porque não há tempo pro outro perceber que é com ele, mande o “me beija” ou “me deixe em paz” pelo inbox, pode ser que a pessoa te responda em 3 dias.

Quantas horas meu dia precisaria ter?

Essas reflexões são repetitivas, mas isso realmente se repete quando a situação se recicla e nossa interação não muda.
Você se considera focado, forte o bastante para ignorar o fluxo irrefreável de informações da internet para viver a vida offline? Se esse for o caso, conseguirá encontrar pessoas com quem interagir da mesma forma?

Em quantas telas você desempenha cada função? Você assiste tv (filmes,
o que seja), com o celular na mão? O que você ouve enquanto trabalha? O que você vê enquanto come? Quem você escuta enquanto anda ou corre?

 

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27 de abr 2020

Há muito tempo não me deixo expressar sentimento por certas coisas. Coisas que aprecio e amo, que sinto mais do que todo o resto das coisas, mas não deixo sair. Não sei explicar de outra forma que não poesia, é abstrato, como se cada uma dessas coisas formasse a melodia de uma canção que não pode ser cantada. Um segredo, que todo mundo sabe, mas quase ninguém diz.
Alguns momentos, ações e lugares despertam essas coisas, como o vento batendo nas árvores, um elogio despropositado, a expressão em conjunto de um movimento que ninguém planejou, a música certa quecomeçar a tocar no momento certo, ou girar, descalça, num vestido bordado.
Não falo porque não tem volta, não pode ser retirado ou desmentido, eu vou saber. Uma vez contato, tudo pode danificar, distorcer, transformar em feio. Uma vez manchada uma tela em branco, ainda que pintemos por cima da cor original, ela não é a mesma.
Mas quem diabos quer uma sala cheia de objetos imaculados, sem uso ou propósito. Não eu, não mais. E se o destino for o ridículo, que seja.

 

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