27 de out 2015

Olá, pessoal!

Acredito que a maioria de vocês sabe, mas nesse final de semana foi o ENEM e as redes sociais foram ao delírio quando descobriram o tema desse ano: A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. A proposta incluía diversos textos com dados estatísticos sobre as ocorrências de violência contra a mulher na última década e pedia, como proposta, uma intervenção para isso. Esse ano o feminismo ganhou muita forma e força, o que gerou grandes conflitos não só entre homens e mulheres, mas entre nós, mulheres, também. Selecionei alguns filmes que retratam diversos tipos de violência com mulheres, mas cuidado que alguns deles têm spoilers.

Thelma e Louise

Para começar, não poderia deixar de citar Thelma e Louise, filme de 1991 com Geena Davis e Susan Sarandon nos papéis principais. As duas são amigas que decidem viajar e, durante a viagem, Thelma é quase violentada. O quase é porque Louise chegou a tempo e atira no cara antes de algo mais grave acontecer. As duas passam a ser procuradas pela polícia, mas mesmo assim, elas não se arrependem. Vou deixar uma fala da Thelma aqui e espero que vocês assistam a esse filme o mais rápido possível: “minha vida estaria muito mais arruinada que agora. Só que agora tô me divertindo.” (tradução livre)

Doce vingança

Doce Vingança, de 2010, é um filme de terror/suspense bem tenso. Uma escritora se isola em uma cabana a fim de escrever seu livro e várias pessoas da redondeza se aproveitam por ela estar sozinha. Ela passa por várias humilhações de vários aspectos e quase não escapa viva. Ao escapar, ela planeja a vingança de todos que participaram dos abusos cometidos. Não recomendo o filme para quem não gosta de assistir torturas (como eu), pois digamos que ela é bem criativa com as vinganças. Para quem se interesse, esse filme ainda tem mais duas continuações.

Ensaio sobre a Cegueira

A história vocês conhecem, não? Ensaio sobre a cegueira é o filme de 2008 baseado na obra de José Saramago e retrata uma cegueira imediata que atinge todo mundo, com exceção de uma mulher interpretada pela Julianne Moore. Como ação desesperada do governo, as pessoas foram afastadas e colocadas em quarentena, de forma que passam a viver institivamente, criando suas próprias regras de sobrevivência. O que poderia ser uma vantagem, acaba sendo um fardo para a mulher, pois ela presencia em silêncio todas as barbáries desse novo estilo de vida: o sem regras. As atrocidades são impulsionas principalmente por causa do personagem interpretado pelo Gael Garcia Bernal, que abusa das mulheres de todas as formas possíveis. O filme é um soco no estômago, mas necessário para entender os limites (ou a falta de) do ser humano.

Tess

Tess – Uma lição de vida também é um filme baseado em um romance, dessa vez de Thomas Hardy. O filme foi dirigido por Roman Polanski em 1979 e mostra a mudança na vida de Tess, filha de um trabalhador rural,  ao descobrir um parentesco de uma família nobre, os D’Urberville. Tess estão é enviada por sua família para visitar um primo, que a seduz e abusa dela. Eu não quero contar o final, então vou terminar por aqui. É importante pensar no filme não só como romance histórico, mas transpassando para a nossa sociedade. Tess sofre muito pelas convenções da sociedade do século XVIII, embora infelizmente ela sofreria os mesmos julgamentos no século atual.

A proposta do ENEM não poderia ter vindo numa melhor hora, pois mostra que o espaço que as mulheres querem conquistar não é modinha, não é femismo, não é frescura; é pertinente, é necessidade, é direito. As mulheres dos filmes que citei acima conseguiram suas devidas justiças de maneira extrema e eu espero viver me um mundo onde ninguém seja obrigado a passar por isso, onde os homens consigam respeitar nossa causa e as mulheres, se engrandecerem!

Vou parafrasear os lindos memes que surgiram no domingo e dizer que: machistas não passarão. No vestibular e nem na vida.

Beijos e até a próxima!

 

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14 de set 2015

editado

Quando você é mulher, desde pequena se acostuma a esperar que os homens te machuquem e enganem. Isso não é preconceito contra eles, é apenas a realidade.
Nos ensinam a nos esconder, fechar as pernas e abaixar a cabeça, para que não atraiamos a atenção dos homens.
Pelo menos comigo foi assim e eu não entendia o porque, sempre estava por perto lá pelo meus 6 anos, adorava observar meu pai jogando dominó no quintal com os amigos e como era filha única e gostava muito de conversar, puxava conversa com qualquer um. Eu nem via a diferenciação entre homens e mulheres e o perigo, mas meus pais viam e por isso, nada me aconteceu ali, mesmo com uns 30 amigos do meus pai, sempre em casa. Deve ser por isso que eu nunca tive medo, na verdade, eu não sei porque. Mas esse medo que as mulheres assumem ter dos homens, eu não sinto com frequência, eu sinto raiva, sinto vontade de revidar qualquer palavra e ação que me machuque. Mesmo assim, algumas vezes, me calo, não conto coisas que aconteceram a todos e uso a desculpa de que não quero me lembrar. Mas também não esqueço.
Algumas vezes eu mesma protejo meu agressor e não entendo o porquê. Como quando não contei que um “parente” por associação, tentou me agarrar várias vezes e deitar na cama comigo quando eu tinha 14 anos (consegui me soltar e sair do lugar, desde então procuro me manter afastada, porque ele ainda está na família).
Como dias atrás, que não contei que um homem enfiou o dedo na minha bunda na lotação, porque ele tinha algum tipo de deficiência física que não reconheci (talvez um derrame, não sei).
Como as vezes em que caras me encurralaram no acento da janela do ônibus e me olham sem a menor discrição, de cima a baixo, como se estivessem arrancando minhas roupa e toda dignidade a qual tento segurar nas mãos fechadas de raiva, isso sempre acontece, sempre.
As vezes essas pessoas se desculpam. Mas eu simplesmente não consigo reconhecem essa palavra como apropriada para a situação. Desculpar pelo que? Fingir que você não teve a intenção de violar o meu corpo para suprir a sua necessidade irracional?
Porque me desculpe você, querido, se você não é capaz de “conter seus instintos sexuais irrefreáveis” deveria estar numa jaula, para o bem de mulheres, homens e objetos.

A única vez em que resolvi falar algo, foi quando tirei uma foto de um cara que estava me fotografando no trem e postei no facebook. Apesar de ter o apoio de algumas mulheres, os homens em minha vida, trataram o assunto com desdém e desconfiança.
Agora me diz, em quem eu posso confiar?
Quando minha família e amigos, não acredita ou trata com normalidade casos de abuso? Poderia ser pior. Sim, e é, para muitas mulheres.
É mais fácil ensinar as mulheres que elas devem ter medo, que precisam aprender a se comportar perante os homens. Porque não ensinar os meninos, desde pequenos, que os homens não são criaturas superiores, de sexualidade livre que tem que ter seus desejos prontamente atendidos pode desestabilizar a sociedade moldada a vontade deles. Os machos alfa, ah, onde estaríamos sem eles.

Eu não quero mais me esconder, mas também não queria precisar sair de casa pronta pra guerra. Assim como queria não precisar ficar calada e deixar meus agressores anônimos, para não ser taxada de “A garota maligna que estragou a vida de todos, por uma coisa que pode ter entendido errado”.
Eu não entendi errado e aquilo que senti nessas ocasiões – que me recordo tão bem, pois elas continuam a se repetir, nunca vão permitir que eu perdoe totalmente.
Foi por essas e outras situações que tatuei “Never Forget” no meu pulso. Nunca vou esquecer e é até melhor assim.
Quem perdoa e aquiesce, tem paz por alguns momentos, mas dá espaço para que uma vida de dor na alma.

 

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16 de mar 2015

Olá, pessoal!

Eu disse que voltava com mais girl power aqui, né? Hoje vou falar de filmes baseados em histórias reais. Tentei ao máximo criar uma lista bem diversa para mostrar que existem mulheres fortes em todos os lugares, basta procurar.

Olga

Começo pelo Brasil com Olga, de 2004, que conta a história de Olga Prestes, interpretada por Camila Morgado, uma comunista judia alemã que vai ao Brasil junto com Luís Carlos Prestes para liderar a Intentona Comunista em 1935 contra o governo Vargas. Entretanto, a revolução não deu certo e os dois foram presos. Por ser alemã, ela é deportada para a Alemanha; e, por ser judia, ela é imediatamente levada para o campo de concentração de Barnimstraße, grávida de Luís Carlos Prestes. A história é emocionante e vale muito a pena. Tem uma cena super desesperadora quando ela está no campo, pois ela pode amamentar sua filha até conseguir e quando ela não consegue mais produzir leite, eles tiram sua filha dela. Quem não viu, veja!

Frida

Passamos para o México com o filme chamado Frida, de 2003, que retrata um pouco a história da Frida Kahlo, importante pintora mexicana interpretada por Selma Hayek. O filme mostra o casamento dela com Diego Rivera e seu caso com o político Leon Trotsky. Não só isso, o filme percorre toda a sua vida e o que a influenciou nas suas pinturas tão famosas. Eu particularmente não gostei muito do filme, mas a sua fotografia é incrível, cheio de cores fortes tão típicas do México.

Coco antes de Chanel

Coco antes de Chanel, de 2009, como o nome já diz, conta a história da Coco, interpretada por Audrey Tautou, antes de ser a maior estilista da história, pois, para quem não sabe, ela foi a pioneira em criar roupas mais confortáveis para as mulheres, que antes só usavam espartilho. Foi ela que fez as primeiras calças femininas. O filme mostra o começo da sua carreira, quando ela trabalhava no fundo de uma alfaiataria e as dificuldades que ela teve para quebrar vários paradigmas da época para se afirmar como estilista. Algumas pessoas criticam o filme por não mostrar acontecimentos importantes da vida da Coco como seu suposto envolvimento com o governo nazista, mas independente disso, é legal ver uma conquista que temos graças a ela.

Erin Brockovich

Julia Roberts interpretou Erin Brockovich em 2000 no filme de mesmo nome pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz. Erin tem três filhos e trabalha em um escritório de advocacia. Ela começa a investigar uma cidade que está com a água contaminada e espalhando doença para seus habitantes. O processo engrandece e o filme mostra os problemas que ela teve para convencer os moradores e para lutar pela causa contra uma enorme corporação.

Grandes Olhos

Para finalizar a lista, cito um filme recente, de 2014, de Tim Burton. Grandes Olhos conta a história da pintora Margaret Keane, que fez muito sucesso nos anos 50s por ter seu trabalho largamente comercializado. Contudo, quem recebia os créditos da sua obra era seu marido, que decidiu comercializar com seu nome pois ninguém iria levar a sério o trabalho de uma mulher. Insatisfeita com a situação, Margaret foi à justiça contra seu próprio marido para legitimar seu próprio trabalho.

Como sempre, várias ideias surgiram ao criar esse post e quem sabe mais para frente eu não faça um com personagens históricas? Maria Antonieta, Elizabeth, Joana D’arc, ah, já tenho uma lista! Esperem!

Por enquanto é só! Comentem o que acharam e sobre novas dicas, elas são sempre bem vindas!

Beijos e até a próxima!

 

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