26 de abr 2020

Tem sido cada dia mais difícil conviver com a incerteza, ou melhor, conviver com a certeza do incerto. Nada de tranquilizador pode vir de uma certeza.

É o silencio antes da catástrofe, aquela pausa pra se pensar que está quieto demais.

Há muitos anos os pensamentos já não me invadiam antes do sono, não havia tempo a ser gasto com isso. Dormir era uma transação que precisava ser efetuada pra manter o funcionamento da firma, rolar na cama não cabia.

São 4 da manhã e parece corriqueiro estar escrevendo um texto e pensando se alguém se preocupará em lê-lo.
Quando todos os dias se tornaram Sábado, as datas perderam o sentido, sendo lembradas apenas para lamentar um boleto ou aniversário à não ser comemorado. Me pego começando a duvidar se aqueles de quem discordo não estão certos, se o que vai nos restar será o bastante.
Hoje me perguntaram se eu gosto de quem eu sou, respondi que sim, mas que gostaria de ter feito mais coisas. Quase que imediatamente percebi que tendo feito mais, feito outras coisas, também seria outra pessoa, meu molde já seria outro. E já não tenho como saber se gostaria desse eu.

Buscamos em testes e mapas, migalhas de pão que nos digam o caminho de onde viemos, pra pensar então qual direção devemos tomar, esses por sua vez foram desenhados por babuínos cegos loucos de ácido ou impressos em borra de chá, mas a sugestão do acaso ainda é mais reconfortante do que a decisão crua de nossas mentes.
O que eu faço? Devo? Qual o risco? Vale a pena?
Silêncio

 

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28 de jan 2019

15/01

Se tem uma coisa que é uma dificuldade na minha vida é demonstrar sentimentos por pessoas, com coisas é tão fácil, sinto tanto por objetos e musicas e filmes, me desfaço em emoção, provavelmente por saber que essas coisas não tem poder sobre mim. Mesmo que eu me decepcione com uma série, ela não vai me destruir pessoalmente, diretamente, não vai pular da tela e me pegar, eu posso disser que a amo, sem sofrer consequências graves.

Mas como diabo eu posso dizer isso a uma pessoa, seja amigo ou relacionamento amoroso VOU TERMINAR ESSE TEXTO DEPOIS PORQUE NÃO SEI DO QUE TO FALANDO

28/01

Oi!

Acabo de encontrar esse texto aqui no blog e olha que coisa. Não que eu tenha mudado algo, continuo com dificuldade para expressar sentimentos, mas a decisão de parar de falar em um momento em que eu estava claramente ansiosa.

Um tempo atrás havia descoberto essa técnica incrível para não entrar em discussões no Facebook. Sempre que eu lia algo que discordava, qualquer tipo de coisa infundada ou sem sentido que sabia que se entrasse em debate, não levaria a lugar algum (ou apenas ao reino da frustração), escrevia a resposta que estava pensando e, ao invés de pressionar enviar e liberar o inferno na terra, apagava.

Por consequência acabei me afastando da rede social e do ódio que se propaga na mesma, voltando apenas em períodos eleitorais onde posso esquecer tudo isso acima e soltar meus cachorros onde acho que vale a pena.

As vezes se poupar é mais saudável.

Look das fotos: Macaquinho jeans da feira de brechós na bresser, camiseta + sustentável da C&A, Oxford da Via Uno, Mochila da Oumai.

Look ilustrado:

Carly versão Xuxa

palavras chave: mulheres jeans short

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15 de jan 2019

Dependência emocional, fiquei sabendo desse termo no final do ano passado e comecei a pensar a respeito. A verdade é que é verdade, bom, pelo menos na minha vida, sou uma pessoa extremamente dependente dos outros.

É importante entender para não assumir coisas: Eu não preciso que as pessoas me deem algo ou façam algo por mim, preciso que elas estejam ali.

Isso, pode parecer, a quem olha para o próprio umbigo, que poderia ser qualquer pessoa, que ela não é especial e sim, também é verdade, ninguém no mundo é especial, somos completamente irrelevantes no ponto de vista universal, mas quem somos para as pessoas que amamos e quem nos ama, importa, então é óbvio, que sejam essas pessoas que queremos por perto.

A solidão é opressora e quando estou sozinha minha cabeça se enche de pensamentos sobre erros do passado e medo de fazer coisas no presente que influenciem o futuro e assim, confesso, usei por muitos anos meus amigos de muleta, por isso me desculpo, apesar de ainda acreditar que essa é a real função do amigo, te ajudar a suportar a dor que é a existência, sei que fui muleta de muitos e tenho orgulho de tantas gargalhadas que demos e conversas profundas sobre probleminhas na cabeça.

Tenho sérios problemas de confiança, é muito difícil que eu permita que alguém tome uma decisão por mim, escolha algo que me envolva sem minha opinião ou sem que eu me ofereça pra fazer, com certeza isso vem de algum ponto da minha vida cheia de facadas nas costas. Posso te contar minha vida toda, mas só vai saber se eu confio em você se um dia eu te deixar escolher onde vamos, sem questionar. Assim como, só vou saber se essa confiança foi merecida, observando o seu comportamento após um desentendimento.

Você pode dizer mil coisas que quebrem meu coração, que vai ter outra chance de consertar, de que minha mente apague tudo e voltemos a praticamente ao que era antes, mas, se no momento que eu virar as costas não houver lealdade, meu bem, estamos arruinados.

Estou me esforçando agora para lidar com minha própria companhia, entender quem realmente quero por perto e o nível de intimidade com cada pessoa, sempre mergulhei fundo demais sem reparar direito onde ou em quem estava me afundando. Relações superficiais machucam menos, mas ainda prefiro sentir pra caramba do que não sentir nada.

E ao contrario do que percebemos quando estamos em relações abusivas, tóxicas ou de dependência, ainda é melhor estar sozinho, do que essa autoflagelação que permitimos em nossas vidas por medo de ficarmos. De uma forma ou de outra, não me arrependo, fiz o que pude com o que tinha na época e aprendi, principalmente com o que deu errado.

ps: Sim, usei a frase de High School Musical pro titulo, kkk.

 

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